Bicha Fêmea Convidada

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Por Patrícia Pirota – Ainda Mininamá

Primeiro quero dizer o quanto estou lépida e faceira de colocar minha carinha aqui no Bicha Fêmea [‘Brigadíssima pelo convite, Lidi!]! Depois de pôr a cachola horrores pra funcionar, pra escrever algo que estivesse à altura do Bicha e de suas leitoras, resolvi falar sobre minha aproximação da era balzaquiana e minha solteirice. Pode parecer bobo perto das tantas dicas utilíssimas e interessantes que as outras convidadas do Bicha deram [e que a Lidi dá diariamente por aqui]; mas como ela disse que é pra diversificar, e que o texto tem que ter a cara da dona, aqui estamos. Um texto que é um pequeno recorte da vida, misturando mel e fel, pois é assim que as coisas se passam lá pras bandas do Ainda MininaMá.

Nos últimos dias venho pensando deveras em minha condição de quase balzaca. E, ao olhar ao meu redor, percebi que a única coisa que me lembra que daqui uns anos ganharei o selo 3.0 de qualidade é minha certidão de nascimento. Não consigo olhar no espelho e enxergar a idade que tenho. E não pensem vocês que é medo de envelhecer, porque não é não, minha gente! Acho lindo todas essas mulheres [nas quais as senhoritas se encontram] no alto de seus saltos 10, muitas já dividindo a pasta de dente com o amado e a prole. Todas tão bonitas, um pouco pelo tempo que as torna mais belas e sábias, um pouco porque possuem brilho próprio. Admiro de longe, como quem observa um quadro de Monet. Mas não consigo me ver fazendo parte dessa pintura.

Sou uma pessoa bem felizinha com o resultado de todos esses meus anos de vida. Gosto da minha independência, da minha auto-suficiência, da minha solidão. Adoro poder passar aquelas máscaras coloridas e ficar barangando, sem o perigo de assustar o amado. Prefiro usar meus tênis sujos aos scarpins que tomam poeira no armário. Mas, às vezes, quando me vejo através dos olhos alheios, essa imagem me incomoda.

Nunca me imaginei sendo a esposa e mãe perfeita, como a Senhora dona minha mãe. Sempre achei que não tenho esses genes. E todo o meu passado pseudo-amoroso está aí pra não me deixar mentir. Não me sinto confortável tentando ser a namorada perfeitinha. Assim como não me sinto confortável quando recebo aqueles olhares de “Nossa!Nessa idade você ainda não casou e nem pensa em ter filhos!”, “Olha o relógio, hein! TicTac”. Sorrio aquele sorriso amarelo e me afasto com meu copo e meu cigarro. Durante toda a vida procurei não criar quadradinhos pra colocar as pessoas. Mas, diariamente, me sinto colocada em um quadradinho. O de quase balzaca solteirona e infeliz, que vai morrer sendo devorada por um gato. Eu não sou infeliz, tampouco vejo gatos num futuro distante [e nem próximo]. E já cansei de tentar explicar que sim!, é possível ser feliz sozinha. Que isso não é discurso de encalhada. Que eu gosto muito de poder chegar em casa e dar boa noite pras minhas plantas. Não descarto a possibilidade de um dia dar boa noite pra um moçoilo, mas confesso que não perco noites de sono a pensar nisso…

Hoje encontramos tantas mulheres incríveis, que fazem do seu o melhor trabalho do mundo, dão o máximo carinho que podem aos rebentos, e ainda são namoradas/amantes de seus esposos. Ou então mulheres que colocaram a carreira antes de qualquer outra prioridade na vida, e que gostam de estar sozinhas. Admiro deveras o primeiro tipo de mulheres, mas me encaixo no segundo.

E sim, também compartilho da visão de que sem amor essa vida não vale a pena. Mas o amor é tão grande, e cabe em tanta coisa. Há o amor por nós mesmas, que é sempre o maior de todos, pelo qual eu levanto pela manhã. Há o amor pelos nossos pais, aqueles queridos que fizeram o impossível para que hoje eu pudesse sorrir. Há o amor pelos amigos, aquelas nossas partes que fazem com que qualquer dia cinzento ganhe cor. Há o amor pelo trabalho, aquele que nos preenche e nos faz sentirmos úteis. Há o amor pelas manifestações humanas, como a arte, a literatura, o futebol, a música, aquele que ultrapassa o entendimento. E há o amor pelo nosso reflexo nos olhos do outro. Posso não ter esse último, mas estou bem feliz em ter todos os outros. E apesar de muita gente duvidar, isso é possível. Como disse Marisa Monte “Quem foi que disse, que é impossível ser feliz sozinho? Vivo tranquilo, a liberdade é quem me faz carinho”.

Já fui a vários casamentos e chás de bebê, pra compartilhar a alegria de minhas amigas bem casadas e boas mães. Mas não lembro de delas ter recebido ao menos um cartão de “Feliz Vida de solteira”. Nem um pano de prato quando resolvi morar sozinha. Nem uma festinha de parabéns porque sou uma solteira realizada. Ao contrário, sempre querem me arrumar um encontro, ou me chamam pra jantares no sábado pra que eu não me sinta sozinha e depressiva… Eu não quero olhares de pena, preciso mesmo é de sorrisos de aceitação. Sinto orgulho daqueles que estão felizes com seus casamentos e filhos. E queria que também sentissem orgulho do meu casamento comigo mesma. Afinal de contas, ser solteira não é apenas um inferno no qual se tem estadia até ser resgatada pelo príncipe.

É estranho o modo como as pessoas enxergam realidades diferentes da sua. Seja uma roupa mais colorida, seja uma religião diferente, seja o fato de uma mulher não querer ter filhos. Elas tendem a julgar, ver apenas o lado ruim de algo, que na verdade, não conhecem. Nós não somos iguais. Nenhuma mãe é igual a outra [por mais que vivam dizendo que só muda o endereço]. Nenhuma mulher é igual a outra [por mais que compartilhemos todo mês o maldito período vermelho]. E nos faríamos mais felizes se simplesmente aceitássemos e convivêssemos com essas diferenças… Se pudéssemos olhar pro próximo, e, mesmo sem entender como ele consegue ser feliz em uma realidade diferente da nossa, sorrir e aceitar que a felicidade [assim como o amor] existe e faz sentido apenas dentro dos olhos de quem vê…

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24 Respostas to “Bicha Fêmea Convidada”

  1. Wlady Says:

    Patrícia, o importante é ser feliz, cada qual a sua maneira!!!
    Parabéns pela desenvoltura em escrever o texto!

    Lidi, estou amando a diversidade de assuntos!
    bjk

  2. Dolly Says:

    Grande Patrícia, assumiu a tribuna, colococu os óculos e abriu o vernáculo. Amei cada frase, cada posicionamento e principalmente a CONDIÇÃO DE SER O QUE QUER SER!..Acho que sintetizando levou muitas senhouras e senhouritas á reflexão!!!! Quantas se arrependem terrivelmente de ter casado para agradar familia, outras por conta do melhor casar que abrasar e outras para fugirem da SOLIDÃO e estas pobres infelizes, que optaram por casar para fugir delas mesmas entraram em um buraco profundo. Casamento não é fuga, nem terapia e muito menos ” fim”; casamento é meio, meio de unir dois corações, dois sentimentos, duas liberdades, duas personalidades, duas independências..quem fugir desse dueto cavou para si a infelicidade!
    Brava Patricia cabeça feita, transparente, liberta de algemas, conceitos e preconceitos…Mais vale uma balzaca feliz que uma casada infeliz!
    Lidiane parabéns a você tambem por nos presentear semanalmente com personalidades como a senhoura Patricia, de voz firme e determinada, que chegou, largou os protocolos e mostrou que ela é mais ela, que depende só dela ..
    Beijos às duas

  3. Patrícia Pirota Says:

    Wlady.
    Obrigada!

    Dolly,
    Ô meu deus…Nem tenho palavras pra agradecer seu comentário! Bjão procê!

    Lidi,
    ‘Brigada mais uma vez, bonita! É uma honra sem tamanho poder ter um cantinho aqui nesse espaço tão bacana! E que a cada dia admiro mais.

    E quero agradecer pelo seu comentário em meu último post. Fiquei emocionada ao ler…

    Bjão enorme procê!

  4. Raissa Says:

    Humm, que delícia de texto viu? Não conhecia você Patricia, adorei o texto e embora eu me encaixe na primeira opção, também admiro muito, assim como você, a outra opção. Quer dizer, não sou casada, nem mesmo tenho namorado, mas sempre me imagino como você citou, mas não com a carreira de lado, porque acredito que podemos nos realizar em vários aspectos da vida, e esse é um deles em que quero ser boa.
    Admirei muito tudo o que você escreveu, só tenho uma pergunta, em que carreira você é realizada?

  5. vivian Says:

    Patricia, assino embaixo de tudo que disse. A felicidade está aonde queremos que ela esteja. Se sou feliz sem filhos, ótimo. Mas se sou feliz tendo uma penca de barrigudinhos na barra da minha saia, ótimo tbem. As pessoas tem a mania feia de querer nos tirar da condiçao em que estamos sem mesmo nos perguntar se queremos sair desse estado. Eu sou muito feliz sozinha. Auto suficiente, nada dramática ou depressiva. Mas tbem sou feliz com marido, filhos, empregada, cachorro e papagaio e ponto final.
    Parabéns pelo texto

  6. Fla Says:

    Menina, seguinte… acho que cadum cadum né não? Hoje sou muito feliz casada, mas já fui feliz em meus tempos de solteira também. O importante é ser feliz, não importa como, nem onde, nem com quem… e a opinião dos outros..que se dane! Rs…
    Gostei muito do teu post… tô contigo e não abro!
    Beijos
    Fla – rumo aos 30 também…rs…

  7. Anna Says:

    Somos diferentes e devemos respeitar as pessoas como são, adorei!!
    Beijos
    Obrigada pelos comentários nos selos, você é maravilhosa..

  8. Debbys Says:

    Simplesmente MARA!!! Primeiro que já sou fã da Patrícia há um tempo e me identifico muito com os textos dela. Às vezes acho que estou pegando aqueles livros de escritores renomadas [que até cai no vestibular] e lendo algumas crônicas…. hehehe… assim que vejo os textos da Patrícia…
    E pra quem acompanha o blog dela sabe que a vida de solteira dela é ótima!!! Tem sim as dificuldades de qualquer vida e sempre tem uma moral, um ensinamento pra gente!!!
    O blog é lindo!! Adorei!! ^^
    bjusss

  9. lidianevasconcelos Says:

    Oh, Wlady! Que bom que está gostando da proposta de diversificação de temas no Bicha através das bichas fêmeas convidadas. Saber isso me deixa muito satisfeita.

    😉

    Beijos

    Obrigada pela parte que me toca, Dolly. Ainda bem que o Bicha Fêmea Convidada está cumprindo bem o papel de deixar o Bicha um blog interessantes e diversificado.

    🙂

    Beijos

    Eu sabia, ao te convidar, que um post seu iria fazer sucesso, Patrícia. Você escreve muito bem e com muita sensibilidade. Ainda vou te ver fazendo sucesso como escritora, hein? Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos… 😉

    Beijos

  10. ruby fernandes Says:

    Lidi querida, seu blog é de uma qualidade incrível! Todos os assuntos abordados aqui são ótimos.
    Patrícia, você escreve bem demais, já estou indo lá conhecer seu blog.
    Bjokas e parabéns para as duas 🙂

  11. lidianevasconcelos Says:

    Oi, Anna!
    Imagina se precisa agradecer! No post dos selos eu disse o que é mesmo o Dicas da Anna, sem tirar nem pôr. 😉

    Beijos

    Oi, Debbys!
    Bom tê-la no Bicha. Fico feliz que tenha gostado do espaço e espero sua visita mais vezes!
    🙂

    Beijos!

    Oi, Ruby!
    Nossa! Muito obrigada pelo seu elogio ao Bicha, viu? Isso significa muito.

    🙂

    Beijos!

  12. Isabela Kastrup Says:

    Ah, estava ansiosíssima pelo texto especial da minha amiga Pat. Ela como sempre arrasou. Verdadeira, intensa, moderna, única. Adoooro!
    E acho que o importante é a gente ser feliz. Chega de rótulos! Cada um vivendo como acha melhor. Admiro muito a Patrícia, não só pelo texto maravilhoso, mas pela grande personalidade que tem.
    Amei!!
    Beijinhos

  13. Lúcia Says:

    Olá Patrícia! Lendo seu texto, percebi que muitas vezes as filhas são o oposto das mães, não em tudo, mas em grande parte. Ainda bem, senão seríamos todas iguais. Mas o que vc colocou sobre respeitar a opção da outra é bem isso mesmo, acho super chato qdo alguém acha que sabe como deve ser a vida de todo mundo e com base nas suas próprias concepções fica fazendo julgamentos descabidos. Amo a diversidade, gosto de aprender com a diferença. Gosto dos seus desabafos, nos faz ver a vida por um ângulo que nunca pensamos. Parabéns pela atitude!!

    E Parabéns Lidi pelo Bicha, é ótimo!!

  14. kinha Says:

    Como sempre a Patrícia arrasando não é amiga?
    Olha só concordo com tudo que disse, mas o ser humano é assim cheiinho de cobranças, se vc é solteira, te perguntam quando casa. Se é casada, quando vem os filhos. Se tem filhos, quando chegarão os irmãzinhos. Se são grandes, quando terminarão o segundo grau, faculdade, começarão a trabalhar e etc….. rsssssssssss
    A sociedade tem dificuldades pra enfrentar opiniões e conceitos diferentes. Imagina só, vc tem 30 anos e sente-se cobrada, eu tenho 45, sou solteira, sempre fui e sou muito feliz graças a Deus, e verdadeiramente, nem me abalo com os comentários de inaceitação da minha vida, escolha, pq afinal quem pode ser feliz por mim mesma, sou eu né? ? :o)
    Como vc disse tem muitas pessoas que não aceitam, tentam nos impor seu modo de vida, mas as vezes amiga querida, é apenas uma insatisfação com sua própria vida e como é dificil fazer mudanças ali, tentam mudar outras pessoas, as vezes isto é até inconsciente, nem percebem. Tem pessoas que tem dicifuldades em viver só, por isto não conseguem entender como alguém fica solteiro por opção, daí questionam, mas apenas como uma atitude natural que não entendem :o)
    A grande maioria nem faz por mal não, é só xeretando mesmo….rssss
    Mas garanto que de agora em diante muita gente repensará seus conceitos depois de ler seu post, bem escrtio, bem elaborado, desabafo de alma. Parabéns flor! Como diz minha sobrinha Madou bem! :o)
    Vixi! Isto é pq estou super com pressa corrida, etc, etc…..
    Ai, ai, ainda bem que as coisas estão voltando ao normal, já estava bem saudosa dos meus dedinhos nervosos….kkkkkkkkk

    Lidi florrrrrrrrrrrrr!!
    Parabéns pra vc também, vim dizer que estava com saudades, agradecer seu carinho e atenção para com minha mãezinha e informar que ela está se recuperando bem graças a Deus e as orações de vcs ( continuamos contando com elas :o) ] e encontro esta belezura de post.
    Coisa liiiinda né? Mas cê sabe de uma coisa só me lembro da minha solteirice quando me cobram…..rsss+rss+rsss+rsss
    Realmente e lamentavelmente tem pessoas que sentem-se super incomodadas com isto, mas com o tempo elas acostumam e isto passa ;o)
    Muita saudade de tú mesmo, sério! Gosto de vc de graça :o))) Pat não fique com ciúmes de tú também, tá? kkkkkkkkkkkk
    bjo pras duas
    Bjo

  15. kinha Says:

    Ups! Faltou um pedacinho ali Ò: :o)
    Pat fique não fique com ciúmes, gosto de tú também, nuitão, tá? kkkkkkkkk
    Vixi! Eu esqueço que o word press é chique no úrtimo e tem emotions, daí exagero nos parenteses… 😮 😀
    fui!
    Bom final de semana pra todas. ;o)
    bjo

  16. lidianevasconcelos Says:

    Obrigada, Lúcia!

    Oi, Kinha!
    Olha, você está certa quando diz que o problema do tipo de cobrança do qual a Patrícia fala é porque as pessoas estão sempre muito preocupadas com as escolhas dos outros. Acho que quem se preocupa com a própria vida é que é mais feliz, sabia?

    Que bom saber que as coisas com tua mãe vão indo bem. Graças a Deus! Torço para que tudo termine bem e vocês possam ficar mais felizes.

    Beijos, Kinha!

  17. Patrícia Pirota Says:

    Ô mulher! Não tenho nem palavras pra agradecer seu comentário, Lidi!
    ‘Brigadão mais uma vez. Foi um prazer imenso fazer parte daqui…

    Senhoritas! Muito, muito obrigada! Vou agradecer cada uma em seu devido espacinho pra não bagunçar aqui o Bicha, que é um espaço pra lá de organizado.

    Bjão procês!!!

  18. lidianevasconcelos Says:

    Imagina, Patrícia!

    Oh, o espaço é seu! Mas se quer responder ás meninas nos blogs delas, vai lá… o teu post deu o que falar. E que bom que foi assim!!!!

    Beijos!

  19. Fatima Says:

    OI Lidi!
    Sodade do cê viu!
    O texto está muito interessante Patricia.
    Bjs.

  20. lidianevasconcelos Says:

    Oi, Fátima!!!
    Tô indo matar as saudades…

    😉

    Beijos

  21. Beta Says:

    Patrícia, maneiríssimo seu texto!!!
    Eu me incluo no hall das que sempre quiseram casar e ter filhos e que sempre atrelaram sua felicidade a isso. Errado? Talvez. Não acho legal a gente colocar nossa felicidade na mão do outro, mas sou assim e o exercício de mudar é dificil e longo. Cehgo lá! ainda não tenho filho e quero tê-los… breve!
    Mas respeito muitssimo que pensa diferente de mim. Claro que se vc fosse minha amiga íntima teriamos altos papos sobre isso, eu ia colocar meu ponto de vista pra vc… não consigo omitir minhas opiniões, mas sei respeitar plenamente a opiniao alheia divergente. E como é bom debater assuntos! Acho que por isso gostei tanto do seu post. Além de perfeitamente escrito, o assunto interessa e foi muito bem exposto e defendido!
    Feliz vida pra vc, do jeito que você escolhê-la!
    Adorei!
    Bjks, Beta

  22. Yvone Says:

    Oi Amiga
    Parabéns!! Que maravilha de texto!!
    Olha eu te entendo e muito viu.
    Nós, seres sociais, em geral olhamos com certa desconfiança para aqueles que optam (não se acomodam, OPTAM) por estilos de vida diferentes da maioria. Tendemos a achar que há algo de errado com estas pessoas.
    Se alguém não se casa ou não quer casar, é porque tem medo ou dificuldades em relacionamentos, por exemplo. Enquanto isso pode ser verdade em alguns casos, nunca paramos para pensar que isso pode ser uma escolha consciente e baseada em coisas que nada têm a ver com medos ou inabilidades pessoais.
    Eu tenho amigas que se casaram, tiveram filhos e são muito felizes assim. Algumas delas eu acho que se sentem felizes porque seus sonhos (condicionados, questionados ou não) coincidiram com as expectativas sociais. Outras, eu tenho a impressão, estão se convencendo de que estão felizes por estarem fazendo o que deveriam fazer. Mas lá no fundo, estão gritando. Ou estão em completa negação.
    A meu ver não há nada de errado nas pessoas que optam por vidas não convencionais, desde que estejam realmente felizes. Aliás, acho possível que estas pessoas estejam mais conscientes sobre suas próprias vidas do que a maioria de nós (sim, estou me incluindo). Descobri que em alguns momentos sofri uma lavagem cerebral massificada e nem percebi que muitos dos meus sonhos eram produto direto de condicionamentos. Acho que essa foi uma das poucas coisas que percebi bem cedo.
    Ainda neste fim-de-semana estava conversando com uma amiga que tem 30 anos. Ela namora mora sozinha, é independente, tem a vida dela. E me disse: “Yvone, eu não quero casar ou ter filhos, pelo menos não por enquanto”. Pode ser que isso mude um dia, mas por enquanto estou bem e feliz como estou. “Não quero dividir meu espaço com outra pessoa, não quero abrir mão da minha independência e não quero limitar minhas possibilidades e meus sonhos tendo filhos agora.”
    Tem muita gente que olha torto para a opção dela. A família pressiona cobra dela uma postura diferente. As expectativas sociais são totalmente discrepantes dos sonhos e opções de vida dela.
    Tudo bobagem! O que importa é fazer o que te deixa FELIZ!
    beijos

  23. Ermínio Schüffner Says:

    Oi Patricia!
    Justo hoje quando termino um relacionamento ,leio esse artigo seu ,coisas da vida.
    Terminei por isso mesmo ,não consiguo me ver ao lado de alguém ,gosto da minha condição de solteiro ,assim como você.
    Estou aberto ao amor ,a amar de verdade.Enquanto ele não chega ,estou aí curtindo a vida ,e tudo o que ela me proporciona.
    Isso Patricia vestindo a camisa de solteiros ,assumidos e felizes .
    Bjão

  24. “Mulher É Um Bicho Danado!”… Se Não, Vejamos… « Bicha Fêmea Says:

    […] como se isso fosse algo errado. Essa cobrança no mínimo esquisita foi colocada em discussão aqui no Bicha,  e com maestria , pela Patrícia Pirota do blog “Ainda […]

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