Passear na blogosfera é bom, muito bom. Creio que você não questione isso, não é? Melhor ainda é quando você encontra num blog um jeito de escrever da blogueira, e de ver a vida também, que te ponha a refletir sobre algo. Eu valorizo isso, e muito, num espaço virtual que eu frequente.
Nem é preciso você concordar sempre com o que lê. Alguém já disse que a unanimidade é burra, e eu concordo com isso até demais. E enriquecedor mesmo é quando a troca de ideias, ainda que contrárias, se dá num nível tão maduro que a discordância talvez enriqueça mais do que se houvesse o contrário dela sempre.
Sabia que achei um espaço assim na blogosfera? Trata-se do Vida, comandado pela Luci. Respeito muito essa blogueira, demais até, e gosto de ler suas opiniões porque vêm de uma mulher madura, segura de si e da inteligência que possui, sem meias palavras e dona de uma redação limpa, elegante, coerente e objetiva.
Não poderia ser diferente neste post em que ela é a convidada de hoje. Luci discorre sobre como ela vê a quantas anda frouxa as relações mãe e filho hoje em dia, e fala com a autoridade de quem não precisou ter parido para ter a sensibilidade inquestionável de uma amorosa e sábia mãe. Só conferir…
Por Luci – Vida
Vocês não imaginam minha surpresa quando a Lidiane me convidou para escrever para o Bicha. Coração disparou!!! Depois dos olhos arregalados e um monte de interrogações na mente, esbocei um sorriso de felicidade, mas logo pesou a responsabilidade e dúvidas. A maior delas: escrever sobre o que? No final optei por escrever sobre algo que estava na mente e no coração naqueles dias. Vocês não imaginam o parto que foi pra esse filho nascer, mas aí se eu for contar, daria outro post.
É um assunto que realmente me preocupa e creio que aqui, onde passam tantas mulheres inteligentes, diferentes, conscientes, poderíamos trocar opiniões sobre. Afinal, é uma grande e difícil responsabilidade: educar os homens e mulheres de amanhã, até mesmo porque os queremos felizes.
Estava na cozinha lavando a louça do almoço, ouvindo Belchior e unindo minha voz a dele, quando uma briga entre mãe e filho, em um apartamento qualquer atrapalhou nosso dueto. O que mais chamou minha atenção foi a competição de quem gritava mais alto. E no meio da discussão, ouço o filho chamar a mãe de idiota, burra. O primeiro pensamento que me veio foi de que se eu tivesse feito algo parecido quando criança, com certeza não teria passado impune.
Eu e meu irmão apanhamos um bocado (não vou entrar no mérito do merecimento
) Ela pegava a primeira coisa que via pela frente e a mais usada era a fita métrica, já que ela estava sempre no seu pescoço, pois era costureira. Toda vez que mamãe comprava uma fita nova, nós tratávamos logo de arrancar aquela parte de metal pois não éramos bobos nem nada.
Mas tinha o outro lado. Mamãe sempre foi muito carinhosa. Adorava abraçar, beijar, brincar, até rolar no chão com a gente. Foi assim por toda a vida. Ela faleceu há 3 anos vitima do mal de parkinson e demência parkinsoniana (que só 20% dos parkissonianos têm e que é igual ao Alzheimer) e até o final ela não perdeu isso, o ser muito carinhosa. O que mais sinto falta é justamente dos seus abraços e cafunés, dos chamegos. Além disso sempre conversou muito conosco e nunca nos deixou sem respostas. Conversávamos muito e mesmo adultos, era nossa melhor amiga e a quem recorríamos sempre para pedir conselhos.
Definitivamente apanhar como muitos apanhávamos não é algo legal nem saudável, todos sabemos disso, mas o oposto, o não fazer absolutamente nada, também não.
Uma coisa que me preocupa muito é a educação que as crianças vem recebendo há alguns anos, ou a falta dessa educação. Houve um tempo que jovens que faziam coisas erradas, eram favelados, baixíssima renda. Hoje estão em todas as classes sociais. Vejo que o que antes era exceção, está se tornando regra. Vejo crianças gritando com os pais sem nenhum respeito, algumas vezes até batendo. Vejo pais gritando com filhos e esses nem olham pra eles e continuam fazendo a mesma coisa como se nada estivesse acontecendo. Vejo pais que não conseguem sustentar um “não”, pois para ficarem livres da insistência da criança (que é bem esperta e já aprendeu o truque,) acabam cedendo ou para abrandar a culpa de não poderem estar muito presentes. Vejo pais sem tempo para conversar com seus filhos pois quando chegam do trabalho, as crianças estão dormindo, ou chegam tão cansados e já com outras coisas para fazer, que não param para dar alguma atenção, algum carinho. Enfim, é uma série de situações que conhecemos bem, que todos nós presenciamos na família ou entre amigos.
Não sou a favor de bater, mas acho que um castigo é sempre bem vindo. Impor limites é fundamental. Porém acima de tudo creio que o que falta é demonstração de amor. Dizer “não” é um ato de amor. Sentar para “conversar” é um ato de amor. Não ficar aos gritos, manter a firmeza no que fala é um ato de amor. Dar exemplo através de suas atitudes é um ato de amor, pois as crianças aprendem muito com o que vêem. Parar para dar carinho e atenção é um ato de amor. Saber impor limites é um ato de amor. Vejo crianças, jovens, adultos que desconhecem os valores mais importantes da vida. As famílias não estão ensinando esses valores, porque muitos dos pais de hoje já foram criados sem eles. E o mais importante deles, que é o respeito, está se perdendo.
“As crianças são o futuro”. Pelo que vejo hoje, tenho medo de como será daqui mais uns anos. Como serão os filhos dessas crianças, desses jovens? Que adultos se tornarão? Que tipo de profissionais serão? Que famílias formarão?
Creio que todos nós podemos ajudar para que esse quadro mude. Sempre podemos doar algo a uma criança, a um jovem que esteja em nossas vidas. Não tive filhos, mas a vida colocou muitos filhos na minha vida e eu sempre tentei dar a eles algum valor e carinho.
Imagem: Embroidery Etcetera
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