Ontem eu postei aqui no Bicha Fêmea uma indicação de post bacana, que foi escrito pela Fernanda, do blog Devaneios Domésticos. O post vale mesmo a leitura, porque mostra o relato do que aconteceu com a Fernanda, que levava uma vida acelerada (como a da imensa maioria das mulheres) e não parava sequer para prestar atenção no que estava acontecendo com o corpo dela. O post vale como alerta.
O ritmo de vida de Fernanda hoje em dia é outro, por escolha dela, porque felizmente foi possível ela dar espaço ao que era prioridade na sua vida.
Fabiana, que edita o Ideias, Detalhes & Dicas, refletiu sobre o que leu, questionou aqui no Bicha Fêmea e no Twitter (me segue aí!! – @bichafemea):
“…porque será que queremos ser sempre as heróinas?”
A pergunta deu “pano para manga”, pelo menos para mim, porque me pus a pensar na pergunta de Fabiana, e respondi:
Boa pergunta, Fabiana!
Difícil é não encontrar uma mulher que não tenha tomado para si, em algum momento da vida, esse papel, o de heroína. Eu também estou nesse meio… mas estou tentando me desvencilhar dessa armadilha, ao passo em que muitas vezes passei a questionar minha postura e pensamentos.
Comecei a pensar: se é possível ter uma vida menos acelerada, por que viver o contrário?
Evidentemente, não é possível para muitas mulheres esse tipo de escolha. Também é verdade que há muitas delas que levam uma rotina abarrotada de atividades, e são felizes assim. Mas eu me percebi não sendo, e assumi que outro modelo é que me fazia bem.
Sempre escutei o ditado de que o que é de gosto, é o regalo da vida (é assim?). Portanto, se a forma como se vive, apesar de cansativa, deixa a pessoa feliz, ótimo. Mas se não, e na verdade esse modelo de vida é o causador de exaustão diária, além de reclamações, por que continuar? Eu não continuei…
Nesse momento chego na opinião que tenho para a sua pergunta: eu acredito que a mulher sempre quer ser heroína porque aprendeu como verdade absoluta que para ser respeitada ela tem que “se virar nos 30”, nem que para isso ela leve uma vida no limite do cansaço e sem qualidade de vida alguma.
Qual a vantagem disso tudo mesmo? O que motiva esse tipo de postura? Eis mais alguns questionamentos…
Pois é, bonita! Foi isso aí logo acima que eu respondi para a Fabiana. E depois de dar minha opinião, adivinha qual dúvida veio a minha cabeça? Saber tua opinião sobre o porquê de as mulheres quererem sempre ser as heroínas.
As bichas fêmeas falam…
Fernanda, Devaneios Domésticos:
“…Acho que esta "vida louca, louca vida, vida breve" como já dizia Cazuza é uma constante auto afirmação. É fruto de uma sociedade que impõe, que cobra e que maltrata…”
Luci, Vida:
“…vejo as mulheres se questionando sobre tudo isso e não apenas se enfiando em tudo sem pensar. Tem que escolher prioridades, tem que aprender a deixar certas coisas prá lá, saber que sentar com os filhos e brincar um pouquinho relaxada é mais importante que a louça suja que está na pia (um exemplo simples, viu?) e o mundo não vai acabar por causa disso. Tem que parar de se preocupar com os outros, o que pensam, o que cobram, e principalmente se cobrar menos. "É preciso saber viver" porque senão a vida vem e te derruba e mostra que você pode parar que a vida não para…”
Dricca Kastrup, DRICCA KASTRUP:
“…Entendi, com ajuda de terapia, claaaaaaaaaro (meu terapeuta é simplesmente o máximo!) que, quando a gente aprende a se exigir menos, ganha o bônus de exigir menos do outro também, passa a compreender melhor a humanidade própria e alheia. Gente, alow ! O ser humano não é nem tem que ser perfeito ! A gente tem que se perdoar, tem que relevar !…”
Rosi, Mundinho Particular:
“Confesso que sou contraditória, reclamo da correria, mas sinto falta dela. Sou uma típica heroína: filha, profissional, amiga, mulher e amante. Ajudo sempre que posso, ligo, dô conselhos, me importo com os problemas dos outros, sofro, isso me cansa, mas é o que me move…”
Patrícia Pirota, Ainda MininaMá;
“…Não dá pra negar que os movimentos em prol da emancipação feminina afetaram por demais o comportamento das mulheres que vieram depois deles. É como se fôssemos, hoje, obrigadas a honrar os sutiãs queimados em praça pública tantos anos atrás.
E assim se vai engolindo o tempo com água, pra ver se consegue-se dar conta de fazer tudoaomesmotempoagora.
Eu já cansei de tentar ser a Mulher-Maravilha [até porque aquele collant é soooo last week xD]. Aceitei minhas limitações, minhas escolhas. Corro sempre, faço muita coisa, mas sempre o que me dá prazer. E se vou deitar na cama podre de cansada, fico feliz por ter feito o melhor pra mim, por mim, por ter feito o que quis…”
Flávia Zocoler, Casa da Flá:
“…Colocar-se na condição de heroína é uma opção. O importante é não esquecer que não temos super poderes e sair por aí, querendo salvar o mundo e esquecendo de si mesma.
O que podemos fazer de melhor para o mundo começa com o cuidado e o respeito que devemos ter com nossos limites. Aí está o segredo da Mulher Maravilha!…”
Claudia Ramalho, Feito a Mão:
“…O fato de sermos descritas como o sexo frágil cria um estigma que para muitas é ruim. Eu não preciso de ninugém para me dar suporte, mas posso precisar de ajuda eventualmente. Isso não me torna menos mulher, menos capaz.
É complicado… O que estamos fazendo aqui é uma verdadeira terapia de grupo…”





